quinta-feira, 15 de novembro de 2012


mindestens einen Tag....(.até um dia )
…….nunca o elevador tinha demorado tanto para subir até décimo terceiro andar . ele ficava olhando para mim com aquele sorriso que ele julgava matador .
 A mim causava irritação, por que tinha bolado esse plano doido , 5 anos e Jeff, era assim que gostava de ser chamado, me cercando , não  me incomodava , não era ofensivo , apenas irritante sua mania de conquistar todas as mulheres . 
Se ele  imaginasse que meu pensamento estava em outro lugar , mais especificamente na Alemanha , para onde eu iria em algumas horas .
Finalmente os frutos de toda uma vida , estudos, trabalho , tudo que eu abri mão na juventude estava retornando em resultados positivos .
Tia Lita, seu sentimento de amor e devoção por mim quando perdi pai e mãe . me adotando sabendo o quanto seria difícil cuidar de um bebê sozinha as 23 anos , abrindo mão de seus próprios sonhos por amor a mim , filha de sua irmã mais velha.
tudo isso passava pela minha mente enquanto o elevador subia , enfim chegou ao meu andar  , descemos jeff ainda me olhava com cara de conquistador .
Entramos ofereci um vinho , peguei as taças que já   havia deixado de prontidão .
Pobre garanhão estava certo que tinha-me nas palmas das mão literalmente , começou o jogo , mãos que tateiam pelas minhas pernas , olhares que ele julgava sedutores mas minha mente estava bem longe dali .
Como ele não percebeu que não tinha objetos pessoais pelo apartamento ,cade as fotos de família ou coisas assim ?
Ele me beijou quase pulei do sofá de susto estava com a mente nas coisas que ainda tinha que fazer , o relatório de 300 palavras que precisava traduzir do inglês para o alemão antes de embarcar as 0 horas no voo para da Pan para a Alemanha ,
quando surgiu uma vaga no escritório de Frankfurt fui logo chamada , o alemão era minha segunda língua .
Querido tio kurt me ensinou sua língua , leu suas lendas , casou com minha tia se tornado assim meu pai .
Enquanto jeff brincava com suas mão eu divagava ,vingancinha besta essa, podia estar arrumando minhas coisas . Ele certo que estava me excitando, eu entediada .
_ Calma gatinha temos a noite toda - não tinha não - já passava das 20 horas .
Num movimento brusco mudei a posição ele por baixo eu por cima ,lembrei de fazer umas caras e bocas enquanto me movia mais rápido, gemidos , apertos , aperta aqui , segura acola , beija mais mais alguns minutos e pronto acabou .
Pobre jeff , aliás Geraldo mas ele gostava que o chamassem de jeff na forma americanizada , suspirou crente que havia sido o melhor .Pulei da cama e corri ao banheiro _ ei aonde vai gatinha ?
O Scheiße ( porcaria )praguejei em alemão, enquanto abria o chuveiro eu já sabia que ele sempre caia no sono depois da transa , sai do banheiro ele estava tomando o resto do vinho ,um vinho mineral de acidez marcante .
   _ Posso dormir aqui ?
   _ claro - respondi - vai dormir sozinho pensei .
  Arisquei uma olhada ao relógio , 20.30 mais meia hora ele dormia profundamente rapidamente fui para o computador traduzi o texto e enviei para a Sandra ela ia precisar dele logo pela manhã .
  Ninguem sabia minha promoção e nem a mudança para Alemanha ,seria uma surpresa para todos , na segunda feira de manhã quando o pessoal do escritório chegasse para trabalhar .
  peguei minhas malas encostei a porta dei mais uma olhada , desci , tomei o táxi .
 as 0.30 minutos estava voando sobre o céu estrelado de sampa , quanto ao Geraldo estava para acordar em um apartamento vazio com os novos inquilinos batendo na porta ….. mindestens einen tag

terça-feira, 25 de setembro de 2012


‎"Gostos"

Gosto dos pensamentos extraordinários
e de sonhar com lugares inexistentes
ou existentes nos meus conturbados
universos de versos e de ilusões.

Gosto do vento na hora do crepúsculo
e de contar as estrelas surgindo no céu
de minha boca ou do mesmo firmamento
onde eu voo pelas noites extravagantes.

Gosto do sol amanhecendo e iluminando
as frestas das janelas e as borboletas
que ainda dormem encasuladas e mutantes,
gosto de contemplar todas as metamorfoses.

Gosto de escrever poesias e de gritar no vazio
desses campos de supernovas e galáxias em colisão,
caos e organização se movimentando alternados
regendo as transformações das almas e dos jardins.

Gosto do gosto das pétalas amanhecidas
e das cores exuberantes das orquídeas
as cores dos olhos daquela menina solitária
olhos tão verdes como as florestas e o mar.

Gosto do seu tilintar na janela amigo passarinho
e do gorjear entardecido nos galhos do abacateiro
é o sabiá ainda menino crescendo junto de mim
é o meu gostar simples e enternecido pelos jasmins.

E vou seguindo por entre as estrofes da minha senda
gostando das dores e das flores, as vezes desgostando
daqueles que maltrataram os antigos cedros e juás
mas, a natureza continuará seguindo mesmo se eu partir...


Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Jonas é autor dos livros:

"Alquimia Poética", "Trilhas de Luz" e "Nas Asas da Poesia".

DELMA DE SOUSA

Eu olhava esse menino, com um prazer de companhia, como nunca por ninguém eu não tinha sentido. Achava que ele era muito diferente, gostei daquelas finas feições, a voz mesma, muito leve, muito aprazível. Porque ele falava sem mudança, nem intenção, sem sobêjo de esforço, fazia de conversar uma conversinha adulta e antiga. Fui recebendo em mim um desejo que ele não fosse mais embora, mas ficasse, sobre as horas, e assim como estava sendo, sem parolagem miúda, sem brincadeira? só meu companheiro amigo desconhecido. [?] Mas eu aguentei o aque do olhar dele. Aqueles olhos então foram ficando bons, retomando brilho. E o menino pôs a mão na minha. Encostava e ficava fazendo parte melhor da minha pele, no profundo, désse as minhas carnes alguma coisa.

Guimarães Rosa

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

(....)Á raça dos desassossegados pertencemos todos negros brancos,ricos e pobre
s , jovens e velhos desde que tenhamos , a inquietação desta raça comum ,a inquietação qque nos torna insuportavelmente exigentes com a gente mesmo e a ambição de vencer não os jogos , mas o tempo , este adversário implacavel .
desassogados do mundo correm atráz da felicidade improvável ,aquela que ninguem nunca viu , e por isso sua raridade .
desassogados amam com atropelo , cultivam fantasias irreais de amores sublimes , fartos e eternos são sabiamentes apressados , cheios de ânsias e desejos , amam muito mais mais do que necessitam e recebem menos amor do planejavam .
dessassogados pensam acordados e dormindo , pensam falando e escutando , pensam ao acordar e, quando dircordam , pensam que pensa melhor , e pensam com clareza uns dias e com a mente turva em outros , e pensam tanto pensam que descansam .
desassossegados não ´podem mais ver o telejornal que choram , não podem sair mais ás ruas que temem , não podem aceitar tanta gente crua habitando os topos das pirâmides e tanta gente cozida em filas em madrugadas e no silêncio dos bueiros .
desassossegados vestem-se de qualquer jeito ,arrancam a pele dos dedos com os dentes , homens e mulheres soterrados , cavando uma abertura , tentando abrir uma janela emperrada , inventando uns desafios diferentes para sentir sua vida empurrada ,desassossegados voltados para frente .
desassossegados desconfiam de si mesmos , se acusam e se defendem , contradizem -se as leis e seus próprios conceitos , tumultuados e irresistiveis seres que latajam .
desassossegados t~em insônia são gentis , lhes incomodam as verdades imutáveis , riem quando bebem , não enjoam , ficam tontos com tamtam idéias soltam , com tamanha esquizofrenia , não se acomodam em rede , leito , lamentam a falta que faz uma paz inconsciente .
deta raça somos todos , eu sou , sô sossego quando me deito....Martha Medeiros .........finalmente alguem me definiu .....ufa .......que alivio ....

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Perdas e recomeços
Já é sabido que as coisas duram o tempo que têm que durar e por mais que muitas vezes o término delas nos pareça injusto, desnecessário ou até mesmo fatal,
é preciso que aceitemos os rompimentos que a vida nos impõe.
Isso

, no entanto, não impede que dentro de nós precisemos
de um tempo para digerir as perdas.
Mágoa, tristeza, vazio, angústia, revolta, insegurança, cada um desses sentimentos requer um tempo para que possa se acalmar dentro de nós.
Ninguém sai ileso do encerramento de etapas desgastantes da vida e o coração suplica por um espaço para regenerar-se, reconstruir-se.
O gosto amargo que fica na boca, a sensação de fracasso, a tristeza muitas
vezes embutida dentro do peito são aflitivas, porém, naturais
e fazem parte desse processo doloroso.
É imprescindível que um período de luto seja vivido para que depois voltemos a renascer para a vida. Não me refiro a duras depressões, embora muitas vezes elas sejam inevitáveis, o que desejo pontuar é que todo ser humano quando enfrenta suas perdas tem direito ao silêncio, ao recolhimento e ao respeito por parte de terceiros. Tantas vezes os "terceiros" na ânsia de ajudar se tornam inconvenientes, insistentes, excessivamente presentes. Falta-lhes a sensibilidade,
a compreensão, a delicadeza nas palavras, o apoio na medida certa.
Ninguém se recupera de um tombo correndo em maratonas, isso seria forçar demais a natureza. Um tombo sempre gera feridas e que sejam superficiais ou profundas, não importa, elas precisam ser tratadas até cicatrizarem.
Caso você esteja com feridas ou até mesmo fraturas expostas, cuide delas com carinho, sem pressa, sem ansiedades e tenha a certeza que você vai
se recuperar, o tempo é o grande remédio para isso.
Caso você esteja próximo de uma pessoa que está vivendo essa situação
ofereça- lhe medicamentos capazes de ajudá-la a se curar. Respeito, confiança, companhia dentro de limites, força e tente guiá-la até o caminho da fé pois
nesses momentos as pessoas tendem a se distanciar dela.
E tenha uma certeza, um sorriso sincero valerá bem mais que uma gargalhada espalhafatosa, uma única palavra pode ser mais valiosa do que horas de uma conversa fútil e um afago terá um valor imensurável.
As perdas que vamos tendo no decorrer da nossa efêmera existência na verdade não são perdas, elas existem apenas para que tudo que já se encontra com
o prazo de validade vencido dentro da nossa vida seja removido a fim
de dar espaço a novos recomeços.

[Silvana Duboc]

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

a beleza de cada pensamento gosto de registrar para lembrar a qualquer momento em qualquer lugar........

segunda-feira, 20 de agosto de 2012


MARIA JULIA .........

segunda-feira, 2 de julho de 2012


Uma crônica para descontrair:

O FIM DA BATATA FRITA

Cada dia que passa as pessoas se preocupam mais com a qualidade dos alimentos que ingerem. Acho bonito isso. Frutas, legumes, verduras, yogurte, carne de soja e outras coisas ainda mais esquisitas e insossas são consumidas como se fossem o próprio Manjar dos Deuses.
O adoçante virou um aliado, quase como um amuleto. Um salvador. Para muitos, a descoberta do chocolate diet equivale à descoberta da penicilina.
Há louco de todo tipo. Tem gente que até troca receitas de chuchu ao vapor. É sério, soube por fontes limpas.
Tenho que admitir que a mulher, normalmente, é a mais preocupada. Dizem até que quando a serpente tentou Eva, ela resistiu por muito tempo, cedendo somente quando a cobra garantiu que maçã emagrecia. Virou regra.
Mesmo as que ainda não adquiriram uma neurose, ou outra patologia anoréxica qualquer, são incapazes de se livrar da culpa. Após um prato de lasanha, a consciência pesada aumenta ao menos um quilo em qualquer balança.
Calorias, celulites e estrias são monstros atrozes. Inimigos cruéis do biquíni. Por isso não é aconselhável convidar uma gordinha para ir à praia com você. Ela, secretamente, irá implorar a São Pedro para que chova durante todo o feriado.
A única vez que fiz dieta fiquei tão insuportavelmente nervosa que nem eu mesma me aguentei. Nestes dois dias de nervosismo e ansiedade, quis acabar com tudo, principalmente com o que tinha na geladeira. Desisti.
Eu adoro batata frita, toda vez que saio pra tomar um chope com amigos peço uma porção. No entanto sempre tem alguém que olha torto e sugere uma coisa mais leve, tipo um ‘peixinho’. Que peça o peixe! Mas eu não abro mão da batata! Se bem que, se for pensar, porções de torresmo também são excelentes com um chopinho...
Infelizmente, a rejeição ao torresmo chega a ser hedionda. Por um lado os fisiculturistas, por outro os vegetarianos, entre eles a turma do colesterol. Haja saúde pra aguentar tanto esmero!
Concordo com os vegetarianos. Morro de dó dos bichinhos, juro. Alguns estão fora de perigo comigo, o carneiro e coelho, por exemplo. São bonitos demais, parecem enfeites, não comida.
Porém, acho uma crueldade reprimir uma pessoa de desfrutar das delícias quase pecaminosas que o simples cheiro de um bacon fritando é capaz de provocar. Impossível imaginar uma existência sem tal prazer.
Estou assustada. Vai chegar um dia em que o sujeito sai pra tomar uma cerveja e leva uma barra de cereais.
E nos fins dos tempos, que pelo visto está próximo, o chope será substituído pelo chá verde. Com acelgas em conserva para acompanhar.
O ser humano se transformará numa raça esquálida e esverdeada. E a terra será dominada por vaquinhas e boizinhos, que serão nossos amigos.

VASTO MUNDO
Maria Valéria Rezende
A moça chegou do Rio. Logo se vê... tão alvinha! Saiu daqui miúda, não diferenciava em nada das outras meninas da escola municipal. Foi o padrinho que a levou. Voltou essa moçona. Veio passar o São João. No meio das outras moças, na frente da igreja, ela agora diferencia até demais. O vesti¬do bonito, mais altura, as unhas compridas e vermelhas, movendo os braços, dando voltas e requebros enquanto fala. E fala sem parar. As outras, mais matutas ainda junto dela, são apenas moldura para o quadro. Para os olhos de Preá, nem moldura. Não existem. Não existe mais a igreja, a praça, a vila, nada. Só a moça.
Preá... outro nome não tem. Quem poderia dizer era a velha, mas morreu sem que ninguém se lembrasse de perguntar. Para a maioria do povo de Farinhada, hoje parece que ele esteve sempre ali, que sempre foi assim, uma coisa da vila como a igreja, a ponte sobre o riacho, os bancos de cimento da pracinha. Mas alguém se lembra: chegou um dia com a velha que chamava de avó, meio cega, meio mouca, meio fraca do juízo. O menino, não se sabe que idade tinha... alguma coisa entre oito e treze anos. Quem pode saber? Fraquinho, enfezadinho como todo filho da miséria. Disseram que vinham do Juá. Qualquer canto da Paraíba tem rua, fazenda, sítio com esse nome. Também, ninguém perguntou muita coisa: uma velha perto de morrer e um menino vivendo só de teimoso...
Neco Moreno deixou ficar nos restos da casinha de taipa e palha, no canto do sítio dele, já bem junto do arruado. Preá amassou barro, tapou os buracos, pediu palha daqui e dali, vivia ajeitando o telhado. Continuou sempre assim, aquele capricho com a casa, alisando as paredes, reparando rachaduras, até caiação... Preá faz tudo sozinho, sempre fez tudo sozinho.
Preá não sabe que coisa é esta acontecendo dentro dele. Começou quando bateu com os olhos na moça. Uma queimação dentro do peito, uma nuvem na vista que esconde tudo que não é a moça, os ouvidos moucos para tudo o que não seja a voz dela e um sentimento que parece tristeza, mas não é. Pelo menos não é daquela tristeza de quando a avó morreu nem de quando o cachorro sumiu. Preá não sabe o que é. Doença também não é, que muitas vezes ele ficou doente e era coisa diferente. Pode ser o juízo enfraquecendo. O povo já diz que ele é fraco do juízo, igual à avó. Agora ele está ficando também cego e mouco, igual à avó. Igual não. É diferente, diferente de tudo o que ele conhece.
A morte da avó mudou pouca coisa na vida de Preá. A tristeza que lhe deu, de pouco em pouco foi se acabando. De noite, sozinho, a casinha parecia maior e mais vazia, por uns tempos. No mais, ficou tudo igual, só que não precisa mais levar a lata de comida para casa. Encosta na porta da cozinha de qualquer um, recebe o prato com o que vier, come ali mesmo, "obrigado, dona, até amanhã". Desde o começo houve uma espécie de contrato, nem escrito nem falado, entre Preá e o povo de Farinhada. O menino fazia qualquer serviço que pudesse, para quem pedisse, sem botar preço e nem receber pagamento. Do outro lado, nin¬guém lhe negava um caneco de café, um prato de comida, uma roupa velha OU. quando ficou maiorzinho, uma dose de cana ou uma carteira de cigarro barato. Bom como ninguém para fazer mandado que tenha pressa, levar recado urgen¬te, levar pacote, buscar a ferramenta ou o carretei de linha que falta para terminar um trabalho. Foi crescendo, aprendendo outros serviços, artes, muita coisa pode-se pedir a ele. O contrato com o povo continua o mesmo. Preá, fiel, sempre na pracinha ou na rua do meio, ao alcance de um grito. Quando não tem serviço, encosta-se na parede... espera. Jamais sai da vila. Sua casinha na ponta da rua é o limite do mundo. No mundo rural de Farinhada, Preá é urbano, da parca urbanidade da vila.
O dia de Preá, que começa quando a barra do dia raia por cima da Serra do Pilão, vira de novo noite quando a moça aparece na praça, manhã alta. É como estar dormindo e sonhando coisa nunca vista, beleza nunca imaginada. Muitas vezes já não ouve quando gritam por ele, já não vê quando lhe acenam, já não fica encostado na parede da bodega esperando chamado, perde-se a caminho dos mandados, engana-se nos recados. Perdeu todos os rumos, menos o da moça. No rumo dela desvia-se de todos os caminhos, vai cada dia mais longe de tudo, mais perto dela. Já se começa a comentar na vila que Preá não é mais o mesmo. "Está ficando mais leso, preguiçoso, esse menino..."
A moça lá no banco da praça, debaixo do jambeiro, cercada pelas outras que querem ser como ela, falando, gesticulando, mostrando-se. Os rapazes voltam mais cedo do roçado, banham-se, perfumam-se, vestem a roupa do São João e vão vê-la na esperança de serem vistos. Preá não teve roupa nova no São João, por fora é o Preá de sempre, por dentro só a luz da moça. Preá, mariposa, chega cada dia mais perto do jambeiro, mais perto dela. No princípio ninguém notava o menino ali parado, os olhos presos na moça alva. Ele tem a invisibilidade das coisas que sempre estiveram presentes. Mas quando Dona Inácia se cansou de chamar por ele, sem resposta, foi que toda a gente viu: "Preá está lá, feito besta, olhando pra moça." "Eh, Preá, está gostando da carioca? Olhe só, Leninha, Preá está louco por você. Quer namorar, Preá?" E o coro: "Preá apaixonado! Preá apaixonado!" Ela achou graça, fez sinal: "Vem cá, meu bem, senta aqui perto de mim." Ele foi, levado pelo vento, pelo olhar... pelas pernas não foi, que não as tinha mais, nem braços, nem corpo, só os olhos e o coração feito zabumba. Não ouviu os gritos, o riso, a mangação. Viu a moça olhando para ele, rindo para ele, a mão macia no joelho dele. "Se você gosta mesmo de mim, Preá, vou namorar com você. Só com você e mais ninguém. Mas tem que fazer uma coisa pra mostrar que gosta mesmo de mim: domingo quero ver você subir até na ponta da torre da igreja e me jogar um beijo lá de cima."
Farinhada toda já sabe do amor de Preá e da exigência da moça. Apostam que ele sobe, que ele não sobe. A torre da igreja é alta e fina como uma agulha, como as da terra do padre Franz, que a mandou fazer. Dona Inácia diz que é maldade da moça, diz a Preá que não suba. Mas o povo espera o domingo com mais interesse do que o clássico jogo de sábado contra o Itapagi Esporte Clube. "Preá é leso, vai subir mesmo..." Erlinda está fazendo coxinhas para vender na praça durante o acontecimento. Disseram que vem um caminhão de gente do sítio Ventania só para ver.
Preá não viveu quinta, nem sexta, nem sábado. Nada viu, nada ouviu, nem dormiu, nem acordou. Pairou desencarnado em alguma dimensão misteriosa. Voltou ao mundo com o badalar do sino. Não vê a praça enchendo-se de gente, os gritos, assobios e aplausos. Sobe, para cima, mais para cima. Não sente as palmas das mãos escalavradas, não sente as plantas dos pés em sangue, não tem medo. Preá é leve, forte, pode tudo, tem asas. Mais, um pouco mais... lá em cima, a moça, o beijo. Não percebe que aos poucos a praça silencia, tensa, admirada. Agora, mais um pouco e sua mão toca a cruz, agarra-se. Preá respira todo o ar do mundo e olha: lá embaixo o carro preto, a mala, a moça acenando. Só quando o carro que leva a moça desaparece ao longe, numa nuvem de poei¬ra, é que o olhar de Preá, liberto, encontra o horizonte. Lá de cima passeia, vaga. vê. E Preá descobre que vasto é o mundo.

sexta-feira, 29 de junho de 2012


Luz Fragmentada

Visualizações:



Emancipo as possibilidades em palavras
E me desgarro dos grilhões do mundo material
Soberano de eu mesmo faço as escolhas
E voo em asas de todos os pensamentos

Sóbrio mergulho em uma luz fragmentada
Distorcida em prismas e caleidoscópios
E se formam arco-íris nas meninas dos meus olhos
Então sou partícula em movimento de ascensão

Sou aquele bosque de sagrados agáricos
Onde fui druida ou um simples lampejo de amor
Minh’alma já não adormece faz mil anos
Simplesmente vigia minhas vidas e mortes constantes

E os peregrinos continuam as suas jornadas
Enquanto eu escrevo as suas histórias
Sobrepondo as minhas vontades em cada linha
E desenhando um final quase feliz, um recomeço.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem.”
- Martha Medeiros.
♪ ❥❥ O tempo voa ., o tempo não para, o tempo passa, e porque deixar sua vida passar ? Não perca oportunidades, se arrisque , chore , sorria , não desista ,, não tenha medo de ser quem você é ,, não jogue fora sua vida ,, há sempre um motivo para ser feliz , e se você não achar nenhum ,, olhe para si e veja que a sua felicidade só depende de você , e só importa a voce , e lembre-se: O tempo nao volta.❥❥♪
"Então, please, as pessoas mentem sim, são maldosas sim, e quem tem que se proteger delas, somos nós!"

(Karla Tabalipa)
Respeitar o livre arbitrio

Podemos opinar, aconselhar, sugerir, 
apontar as possíveis conseqüências,
de uma atitude a alguém, 
mas se essa pessoa está decidida,
a efetivar ou não tal ato... paciência. 
A teimosia é uma espécie de avesso do bom-senso,
e da humildade, e a maioria dos teimosos,
não se deixa convencer, não porque realmente,
não compreenda ou não enxergue o erro, 
mas por orgulho e amor próprio, 
coisas que na essência se equivalem.
Levar o cavalo até a fonte é isso. 
É chamar a atenção de alguém,
para coisas que talvez ela não tenha percebido ainda, 
mas que pode evitar. 
No entanto, sempre existirá a possibilidade,
de ela não aceitar ponderações de qualquer tipo,
e preferir ficar com suas posições, 
mesmo que evidentemente errôneas. 
Nesses casos nada nos cabe fazer, 
a não ser respeitar o livre-arbítrio da pessoa, 
ciente de que cada um deverá colher,
exatamente aquilo que plantou.!!!
Tudo esta escuro o céu esta sujo!
coberto de sujeira poeira e calor!
o sol em seu ocaso ...
quase não da mais seu brilho...
as arvores esta sem folhas...
a grama amarela...
ou o que restou dela...
tudo perdeu a cor...
o ar esta parado poeira por todo!
lado tudo sente a falta da chuva !
a falta do frescor da briza...
a falta do ardor da vida...
mas em meu peito esta tudo florescido!
o sol quase sem brilho...
eu olho alem do véu eu fico a esperar!
o tempo que me faz sonhar...
tempo de paz...
tempo de amor...
de esplendor... 
porque eu sei na verdade...
eu sei que logo tudo vai passar...
as certeza...
que eu tenho...
da certezas de você...
é assim que eu sinto por você!
eu acredito confio!
e sinto as certezas de você!
doce amor da minha vida!
isso que esta acontecendo!
é prelacio do recomeço...
da vida em seu esplendor!
logo vai chover...
eu sei...
eu sinto ...
eu confio...
eu creio...
assim eu confio em você!
porque eu sei...
que não importa a situação!
minha e sua..
tudo esta verde...
como pastos verde!
como os verdes dos olhos teus!
assim a vida vai florescer..
logo logo vai chover...
a vida vai renascer...
assim é eu e você...
não importa o que aconteça!
tudo volta a renascer!
florescer cada dia mais forte!
cada dia mais lindo cada dia melhor
amo você...
com verdes...
sem verdes...
seus olhos fás tudo verdes!
é esse verde do teu olhar! 
Autora Anabel Diequisisque!

terça-feira, 19 de junho de 2012

O apego ao passado é uam paralisia hedionda . Ele transforma o ato de recordar em um instrumento destrutivo. O ser humano não é por acaso , é o depósito de uma já vivida..
Toda perda sempre esconde um ganho . Essa frase é comum , já foi muitas vezes repetida , eu sei . Mas como é importante repetir essas coisas . Por isso volto a dizer , escute as mesmas coisas de , de um jeito diferente
 tudo que é belo tende a ser simples . Afirmação generalizante? Não sei .O que sei é que a beleza anda de mãos dadas com a simplicidade . Basta observar a lógica silenciosa que prevalece nos jardins. A vida que se ocupa de ser só o... que é . Não há conflito nas bromélias , não há angustia nas rosas, sem ansiedade nos jasmins .Cumprem o destino de florirem ao seu tempo e de se despedirem do viço quando é chegada a hora .Não se prendem ao passageiro nem têm a pretensão de eternizar o que não nasceu para ser eterno . Não querem outra coisa senão a necessidade de cada instante .Não há desperdício de forças , nem há dispersão de energias . Tudo concorre para a realização do instante . De forma simples e natural. do livro TEMPO DE ESPERASVer mais
Toda perda sempre esconde um ganho . Essa frase é comum , já foi muitas vezes repetida , eu sei . Mas como é importante repetir essas coisas . Por isso volto a dizer , escute as mesmas coisas de , de um jeito diferente
Um dia eu precisei amar minha dor .Era o único jeito que tinha de continuar vivendo . Ou anprendia , ou morreria com ela . Resolvi aprender . Desde então , minha dor é minha companheira , minha mestra , minha parceira .Deixou de ser minha ...inimiga no momento em que a olhei nos olhos e aceitei conhecê-la com mais propriedade . Quis entar nos mistérios de seus mecanismos com o intuito de poder administrar melhor as suas consequências .......Eu não a busco , mas quando chega , abro as portas para não que force as janelas . Deixo que entre , ofereço -lhe um café , olhos nos eus olhos para que cesse o medo e depois me empenho em deixar que fique o tempo necessário , até que se dissolva por si só , pela força do tempo .Quando acolhida, a dor se dissipa aos poucos , e , de maneira incrivel e surpreendende , o que parecia tão definitivo transforma -se em matéria transitória.......

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Nós atravessamos nossas pontes quando nós passamos por elas e as queimamos atrás de nós, com nada mais que mostre nosso progresso, exceto a memória do cheiro de fumaça e uma presunção do que nossos olhos viram. Tom stopard
somos meio estrelas , somos meio lua , meio sol, meio tarde , meio cedo , meio metade e inteira , somos assim , assim



amei , felizmente mais doida ........
“A prova de que estou recuperando a saúde mental,
é que estou cada minuto mais permissiva: eu me
permito mais liberdade e mais experiências.
E aceito o acaso. Anseio pelo que ainda não
experimentei. Maior espaço psíquico.
Estou felizmente mais doida.”

((Clarice Lispector))

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Ӝ̵Ʒ..•°*"˜ ☆ ¸..•´¨¨)) -:¦:-
.(ړײ)/       ¸.•´….•´¨¨))
.«▓       ((¸¸.•´ ¸.•´.-✿
..╝╚ …✿. ✿....✿...
"O amor é uma força, uma energia, que se manifesta
Na alma como um sentimento de lembrança de algo
Que a alma já teve, mas perdeu.”
(Platão)
Narciso invertido.
sou corda esticada , 
elástico retorcido 
arame espinhento.
sou um pé de chorão na beira do rio,
me curvo , mas não deito .
sou flor que se fecha, no calor abrasador,
mas se abre de novo com qualquer vento fresco.
sou garoa , sou tempestade.
sou narciso invertido .
quem me olha é o espelho.
sou veio de água que desce a montanha cantando ,
as vezes chorando.
posso ser rio manso , ou caudaloso .
não tenho estações ,desabrocho em botões .
viro sol abrasador no meio da mais forte chuva .
sou garoa fria , vento gelado.
sou inteira faltando faltando pedaços , sou feliz sentindo tristeza.
eu me perco quando me acho , sou guerreira , amante da paz .
atribulações , tempestade , vento forte ,
sou vácuo embora preenchida .
me estraçalho , mas me refaço.
sou uma viajante que chegou para ficar. by vera lúcia silva

terça-feira, 10 de abril de 2012


A palavra sincera

Você sabia que a palavra "sincera" foi inventada pelos romanos?

Eles fabricavam certos vasos com uma cera especial tão pura e perfeita que os vasos se tornavam transparentes.

Em alguns casos era possível distinguir os objetos guardados no interior do vaso.

Para um vaso assim, fino e límpido, diziam os romanos:

Como é lindo! Parece até que não tem cera!

"Sine cera" queria dizer "sem cera", uma qualidade de vaso perfeito, finíssimo, delicado, que deixava ver através de suas paredes.

Com o tempo, o vocábulo "sine cera" se transformou em sincero e passou a ter um significado relativo ao caráter humano.

Sincero é aquele que é franco, leal, verdadeiro, que não oculta, que não usa disfarces, malícias ou dissimulações.

A pessoa sincera, à semelhança do vaso, deixa ver através de suas palavras os nobres sentimentos de seu coração.

Assim, procuremos a virtude da sinceridade em nossos corações. Sim, pois na forma de potencialidade ela está lá, aguardando o momento em que iremos despertá-la, e cultivá-la em nossos dias.

Se buscamos a riqueza do espírito, esculpindo seus valores ao longo do tempo, devemos lembrar da sinceridade, deste revestimento que nos torna mais límpidos, mais delicados.

Por que razão ocultar a verdade, se é a verdade que nos liberta da ignorância?

Por que razão usar disfarces, se cedo ou tarde eles caem e seremos obrigados a enfrentar as conseqüências funestas da mentira?

Por que razão dissimular, se não desejamos jamais ouvir a dissimulação na voz das pessoas que nos cercam?

Quem luta para ser sincero conquista a confiança de todos, e por conseqüência seu respeito, seu amor.

Quem é sincero jamais enfrentará a vergonha de ser descoberto em falsidades.

Quem luta pela sinceridade é defensor da verdade do Cristo, a verdade que liberta.

***

Sejamos sinceros, lembrando sempre que esta virtude é delicada, é respeitosa, jamais nos permitindo atirar a verdade nos rostos alheios como uma rocha cortante.

Sejamos sinceros como educadores de nossos filhos. Primemos pela honestidade ensinando-lhes valores morais, desde cedo, principalmente através de nossos exemplos.

Sejamos sinceros e conquistemos as almas que nos cercam.

Sejamos o vaso finíssimo que permite, a quem o observa, perceber seu rico conteúdo.

Sejamos sinceros, defensores da verdade acima de tudo, e carreguemos conosco não o fardo dos segredos, das malícias, das dissimulações, mas as asas da verdade que nos levarão a vôos cada vez mais altos.

Por fim, lembremo-nos do vaso transparente de Roma, e procuremos tornar assim o nosso coração.
Dissolva-se numa energia de amor, torne-se uma energia de amor - não amor por algo específico, mas amor por tudo, e até por nada! 
Não é preciso um objeto de amor, mas apenas uma energia transbordante de amor. 
Se você está sentado em silêncio em seu quarto, deixe que o ambiente se torne cheio de energia de amor, crie uma aura de amor à sua volta.
Se você estiver olhando para as árvores, ame as árvores.
Se estiver olhando para as estrelas, ame as estrelas.
Você é amor, e pronto!
Portanto, onde quer que esteja, vá jorrando amor... até sobre as rochas.
E, quando você jorra amor sobre as rochas, elas não são mais simplesmente rochas.
O Amor é tamanho milagre, tamanha magia, que transforma tudo no objeto amado....
Você se torna Amor, e a existência se torna a amada, se torna Deus...
As pessoas buscam e procuram Deus sem se tornarem amor.
Como podem encontrá-lo?
Não possuem o equipamento necessário, nem o contexto e o espaço necessários.
Crie Amor e esqueça tudo sobre Deus.
Um dia, de repente, você o encontrará em todo lugar...

Confúcio
MEU CONTO

A fantasia é meu melhor lugar,
Ali onde existem luzes e sombras
Onde sobram as esferas diretrizes dos sons
E a canção traz volutas vaporosas de sonhos
Minha alma segreda aos ouvidos do tempo
E ainda pensa que é criança.
E puramente lança areia nos olhos do destino
Loucos os fantoches me imitam.
E fadas galopam unicórnios dourados
Cavalos alados me levam sobre a campina
E sobre mar onde deuses loucos mergulham
E voltam à superfície sedentos
Dos meus desejos mais insanos
Que são desejos de terra pela semente
De ciranda pelo redemoinho
Paixões de soldados enternecidos
Mergulhados numa fotografia,
Meus pobres desejos imensuráveis
Fugidos e loucos pelas sobras do crepúsculo
Desenhando formas gigantescas no horizonte
Onde meu verde olhar inventa uma nova
Historia só minha e da minha verdade,
Essa feita de chuva dourada e borboletas
Dolosas
De amor juvenil, de poemas e rosas!

Claudia Morett











domingo, 8 de abril de 2012

nos precisamos tirar proveito , aprender com as pequenas coisas , mesmo que sejam bem pequenas , para sermos felizes .
alguns buscam as coisas grandes , e até as encontram mas não consegue a felicidade ,Hoje estou vivendo um tempo de granderealizações , mas tambem um tempo de muita mudanças de vida .
Eu lembro quando tinha todos meus filhos em casa ( 7filhos) , a casa era cheia de gente , bem movimentada , hoje é vazia e silenciosa . As vezes me da uma uma tristeza, e parece que o desanimo vai me pegar.
mas eu procuro lembrar que não sou a unica a passar por esse caminho .
parece que o tempo passou muito rápido , e meus filhos sairão muito cedo de casa .
Eu sinto muita falta deles , gostava de ver as crianças correndo de lá para cá ,pessoas conversando , e muitas pessoas em volta da mesa .
E uma sensação de perda muito grande dificil de aceitar , mas não é impossivel.
você precisa continuar , voltar para traz não é mais possivel, precisa continuar caminhando............Elza Maria Mendes da Silva

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"Minha teoria é simples. Meu sentir é exagerado. Me jogo, me lasco, me entrego, me esfolo inteira. Melhor do que viver pela metade. Amar pela metade. Acreditar pela metade. Pra tombo há remédio, há refazer. Pra sonho desperdiçado, não."

A SEMPRE UM RESTO DE PERFUME UM TRAÇO DE BELEZA ANTIGA...
a significação é invisivel, mas o invisivel não esta em contradição com o visivel .o visivel tem uma estrutura interna invisivel, e o invisivel é o contraponto secreto do visivel
as pessoas sempre descobre seu próprio mistério a custa de sua inocência..........

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beatrix - ppoter escritora de contos infantis que encanta adultos...


porque a maior dor do vento é não ser colorido.
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